Muitos são os postulantes. Alguns até carregam o título no nome. Não tenho dúvidas, todos são nobres e dignos de admiração: BB King, Freddie King, Albert King e outros mais humildes.

Existem discussões intermináveis em torno do tema. Cada um tem sua legião de seguidores e não há consenso entre os súditos, pois todos têm aura, luz, energia, postura de majestade.

Diferentemente do futebol, do Rock, do Reggae, e até da música brasileira, onde todos sabem quem é o Rei, no blues o trono parece estar vago. A plebe não se atreve a fazer sua escolha e a nobreza, por respeito e índole parece não achar necessário reconhecer um que se distinga dos demais.

É interessante que no Rock houve uma disputa declarada pelo cetro. Jerry Lee Lewis, Little Richard e Chuck Berry, reivindicaram a coroa (e Jerry Lee se acha merecedor até hoje), mas, embora não haja unanimidade, todos reconhecem Elvis como o Rei. Quanto a Pelé, Bob Marley e Roberto Carlos, não há discussão.

Mas e no blues; quem é o Rei? Quem está no topo? Eu já tenho o meu eleito: trata-se de Mr Buddy Guy. Suas interpretações comoventes (onde até a desafinada característica de sua voz provoca sensações incomparáveis) são a pura honestidade. E o vigor de sua pegada blueseira nos transporta a lugares onde não se chega sozinho. Um simples bend do Buddy tem mais feeling que horas e horas de muitos guitarristas consagrados. É como um flecha certeira no coração.

Tive a benção de vê-lo duas vezes em Porto Alegre e acho que ele está até um pouco acima disso, pois naquela noite no teatro do Sesi estivemos todos perto do céu.

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