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Assim nascem os blues V

De passagem por New Orleans, um viajante foi tomar uns drinks em um restaurante que lhe pareceu animado. Da calçada pode ouvir um som quente e endiabrado que vinha de dentro da casa. Entrou, acomodou-se em uma mesa com vista para o palco e pediu uma bebida.

Assistiu vários músicos a revesarem-se nos instrumentos em uma improvisação alucinada onde cada convidado, dava sua interpretação pessoal a cada passagem da música.

Como a noite permanecesse quente, foi ao hotel tomar um banho e trocar de roupa.

Ao retornar, percebeu que o grupo executava ainda a mesma canção e que o nível de empolgação do público e dos músicos que rodavam pelo palco mantinha o mesmo clímax de 40 minutos antes.

Um mesmo blues e infinitas possibilidades.

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Assim Nascem os Blues IV

Numa época em que os negros eram privados de seus direitos mais básicos e em que a segregação era aceita até mesmo pelos oprimidos, Rosa Parks deu início ao boicote aos ônibus quando se negou a dar lugar a um passageiro branco.

Assim nascem os blues III

Um dia lhe disseram que pra tocar o blues bastava utilizar acordes com sétima e que com apenas três deles seria possível tocar um número infinito de canções.

— E pra compor? — quis saber.

— Basta usar os seus sentimentos (sem receio ou pudor). Escrever algumas linhas e recitá-las sobre a harmonia até moldá-la na forma mais humana e honesta que for capaz.

Naquela noite, embalados por garrafas de whisky, rum ou outra bebida forte, o homem e seu violão entraram em comunhão e antes que um novo dia amanhecesse, eram um só.

Robert e seus demônios

Duas animações para Crossroads e Me and the Devil em cima das gravações originais de Robert Johnson.

Assim nascem os blues I

No final do século XIX, um homem era castigado em praça pública. Amarrado ao troco, que ele havia cortado e carregado até o centro da plantation, Thomas Singer era açoitado em frente ao seu povo até ter todas as suas forças arrancadas. Seu crime? Compor canções de amor para a filha do dono da plantation.

A moça, viúva sem ter sido esposa, chorou sua morte abraçada ao tronco que servira de testemunha do último sopro de vida de seu amado. Sabedor disso, seu pai ordenou que o tronco fosse arrancado e queimado, mas os negros trataram de remover lascas da madeira e distribuiram-nas entre os presentes que as guardaram como amuleto.