No final do século XIX, um homem era castigado em praça pública. Amarrado ao troco, que ele havia cortado e carregado até o centro da plantation, Thomas Singer era açoitado em frente ao seu povo até ter todas as suas forças arrancadas. Seu crime? Compor canções de amor para a filha do dono da plantation.
A moça, viúva sem ter sido esposa, chorou sua morte abraçada ao tronco que servira de testemunha do último sopro de vida de seu amado. Sabedor disso, seu pai ordenou que o tronco fosse arrancado e queimado, mas os negros trataram de remover lascas da madeira e distribuiram-nas entre os presentes que as guardaram como amuleto.
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“Desde o dia em que comecei a cantar pra valer, eu só cantei blues.”
Janis Joplin
Janis é a maior cantora da história do rock’n’roll e aqui revela a fonte de suas interpretações incomparáveis.
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Muitos são os postulantes. Alguns até carregam o título no nome. Não tenho dúvidas, todos são nobres e dignos de admiração: BB King, Freddie King, Albert King e outros mais humildes.
Existem discussões intermináveis em torno do tema. Cada um tem sua legião de seguidores e não há consenso entre os súditos, pois todos têm aura, luz, energia, postura de majestade.
Diferentemente do futebol, do Rock, do Reggae, e até da música brasileira, onde todos sabem quem é o Rei, no blues o trono parece estar vago. A plebe não se atreve a fazer sua escolha e a nobreza, por respeito e índole parece não achar necessário reconhecer um que se distinga dos demais.
É interessante que no Rock houve uma disputa declarada pelo cetro. Jerry Lee Lewis, Little Richard e Chuck Berry, reivindicaram a coroa (e Jerry Lee se acha merecedor até hoje), mas, embora não haja unanimidade, todos reconhecem Elvis como o Rei. Quanto a Pelé, Bob Marley e Roberto Carlos, não há discussão.
Mas e no blues; quem é o Rei? Quem está no topo? Eu já tenho o meu eleito: trata-se de Mr Buddy Guy. Suas interpretações comoventes (onde até a desafinada característica de sua voz provoca sensações incomparáveis) são a pura honestidade. E o vigor de sua pegada blueseira nos transporta a lugares onde não se chega sozinho. Um simples bend do Buddy tem mais feeling que horas e horas de muitos guitarristas consagrados. É como um flecha certeira no coração.
Tive a benção de vê-lo duas vezes em Porto Alegre e acho que ele está até um pouco acima disso, pois naquela noite no teatro do Sesi estivemos todos perto do céu.
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“Os blues são as raízes. Todos as outras músicas são seus frutos. Precisamos manter fortes as raízes para termos sempre bons frutos no futuro.”
Willie Dixon
Dixon é autor de clássicos como Hoochie Coochie Man, Mannish Boy e Spoonful imortalizados por Muddy Waters e Howlin’ Wolf.
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A partir da chegada dos primeiros navios negreiros, em meados do século XVII, desembarca em continente americano uma cultura totalmente estranha àquela imposta pela colonização européia.
Esta nova cultura encontra terreno fértil no delta formado pelas ÁGUAS TURVAS do rio Mississipi e desenvolve-se a partir de suas raízes africanas.
Já aclimatados ao novo continente, mas ainda ressentidos de sua liberdade, os negros encontram na música a forma perfeita para expressar o seu lamento, sua angústia, a saudade da terra natal, mas, sobretudo, uma forma de manter viva a sua rica cultura folclórica. Aos poucos, surgem as “work songs”, verdadeiros lamentos melódicos entoados pelos negros enquanto trabalham na colheita do algodão, nas lavouras do delta.
Assim nasce o blues, cuja palavra significa melancolia. É a primeira manifestação cultural dos negros na América que, de uma forma visceral, sentimental e rítmica, expressam as agruras de seu cotidiano.
Com o passar do tempo, agora já no século XX, o blues ganha outros temas e passa a falar dos amores perdidos, da falta de sorte, das brigas, do álcool, de conquistas e a contar histórias da vida dos próprios blueseiros. Até os dias de hoje mantém-se fiel a sua simplicidade rítmica e a sua singela estrutura poética. Os blues não são para serem ouvidos, estão aí para serem sentidos. Com o coração. Um blues honesto emana do coração e é feito por gente que chora, que ri, que sonha, que compartilha e que quer um pouco mais da vida.
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